tinha uma época lá em casa que iámos “à cidade”. herança do tempo em que “cidade” era realmente isso: um centro urbano afastado de onde morávamos. ainda agora existe essa leitura de “ir à cidade” apesar dela estar em todos os cantos, apesar de hoje o esforço ser mais no sentido de sair da cidade e não de chegar até ela.
tentamos sair da cidade, muito embora estejamos nela sem nunca acessá-la. estamos ou não nela? estamos na rua, mas não estamos na cidade. o elemento urbano é só paisagem, é so pasto. é só passagem.
e foi exatamente do ato de “passar” que surgiram as passagens no centro da cidade. atalhos que ligavam ruas por baixo de prédios - as galerias. símbolos de um tempo sem shoppings, onde as compras eram chamadas simplesmente de “comércio” e podia-se comprar sem se perder por intrincados corredores.
hoje passeamos à pé por essa cidade. passamos por passagens que juntam mais que a 7 de abril à barão de itapetininga. são passagens entre diferentes cidades desde o passado até o agora, passagens atemporais que ainda resistem. galerias feitas de tempo.
passeio guiado pelas galerias do centro à pé, aqui.